O blog

Este blog foi criado em 2008 para a postagem das minhas colunas que eram publicadas no Infomoney e no extinto A Cidade.
Atualmente publico no jornal O Pinhalense e no site O Financista.
Aproveitem!


sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Os Muppets do IPEA

Coluna do A Cidade e Infomoney, publicada em 15 de Agosto de 2009


Quem não se lembra do Muppet Show? O programa de TV com uns personagens de fantoche bizonhos que se assemelhavam a animais e viviam entrando em confusão. Aqui no Brasil, os personagens ficaram mais conhecidos com o desenho animado Muppet Babies que passava em canal aberto na década de 90.

Mais recentemente, os Muppets abandonaram a televisão e invadiram o IPEA. Resolveram fazer pesquisa econômica aplicada sem perderem o faro para a confusão. Assim como na TV, os Muppets do IPEA são liderados por Caco, ou Marcio Pochmann na versão do Instituto de Pesquisa. Caco é um sujeito de fala mansa que vive no mundo da lua fantasiando em conquistar sua paixão, a Miss Piggy.

O gigantismo estatal é a Miss Piggy de Pochmann. A Miss Piggy é uma charmosa e simpática porca loira de olhos azuis que sonha em virar estrela de TV, mas quando contrariada se torna violenta e agressiva. O Estado Miss Piggy é o idealizado por Pochmann.

Os Muppets do IPEA também são fantoches. São manipulados por idéias retrógadas de um desenvolvimento econômico a ser conquistado somente via intervenção direta de um Estado paternalista e onipresente na economia.

Pochmann e Caco: as semelhanças vão além da simpatia


A última sugestão de intervenção estatal que o IPEA e Pochmann apresentaram foi o de redução da jornada de trabalho para 37 horas semanais em substituição das 44 horas atuais. Segundo um estudo do instituto de pesquisa, só assim haveria condições de o país atingir o pleno emprego. Ao lançarem a panacéia para a platéia de desempregados, no entanto, os pesquisadores esqueceram de avisar que isto estará associado à redução salarial do pessoal atualmente empregado. Sem contar os custos adicionais para o empregador que diminuiriam a competitividade da indústria e a perda de eficiência de se criar praticamente um quarto turno na jornada de trabalho.

Ao constatar que a distribuição do tempo de trabalho é desigual no país, com muitas pessoas trabalhando mais que 44 horas por semana e muitos com carga horária bastante reduzida, Pochmann comenta que “uma melhor redistribuição dessa jornada permitiria mais pessoas ocupadas do que a simples redução da jornada oficial”. O economista esquece de observar que esta redistribuição não pode ser imposta e o status atual tampouco foi fruto de uma decisão deliberada de algum ente do mercado.

Se há desigualdade nas jornadas, foi um ajuste natural da economia. Alterar esta distribuição requer intervenções nos mecanismos de incentivo do mercado de trabalho que invariavelmente tem como conseqüências o aumento nos custos de contratação e o crescimento de informalidade.

O estudo do IPEA complementa seu argumento dizendo que o fim do desemprego com a redução da jornada de trabalho só será possível assumindo a premissa de manutenção dos investimentos no aumento de capacidade produtiva e com uma evolução do PIB acima de 4% ao ano. Nada mais óbvio. Com soluções deste tipo, até mesmo Gonzo ou Animal poderiam sugerir políticas públicas. E pelo visto eles já estão fazendo isso.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

PCH polêmica

Coluna a ser publicada no Jornal A Cidade de 1 de Agosto de 2009

Concordo com a Cemirim quando o assunto é a PCH em estudo para ser instalada na região do bairro Veridiana. Ninguém ainda decretou que a usina será construída. Tudo é muito preliminar e ainda deve ser feito o estudo de viabilidade econômica e ambiental. Ou seja, se os danos à região atingida superarem os benefícios econômicos de uma PCH, o projeto será considerado inviável e engavetado.

Mas este estudo dos impactos ambientais deve ser feito com bases técnicas. Não será a gritaria de pessoas ambientalmente engajadas que determinará se os prejuízos são grandes ou pequenos. Este método de gritar ao invés de argumentar e de apelar para as emoções com o emprego de palavras do tipo “santuário”, “berço dos dourados” e “matança de peixes” são típicos de ambientalistas.

Muitas vezes este ambientalismo radical perde a razão quando confrontado com fatos e dessa maneira perde a credibilidade toda vez que se manifesta. Por isso não estou nem um pouco preocupado, a priori, com a PCH do bairro Veridiana e tampouco com os dourados que habitam por lá. Os estudos (e não os gritos) dirão se devemos nos preocupar ou não.

Quanto à justificativa econômica de se construir uma PCH, se ela irá atender a região, não faz sentido construí-la em locais muito distantes para integrar o sistema de transmissão nacional. Sua proximidade mitiga o risco de falhas na transmissão e diminui o custo de energia na ponta consumidora. PCHs geralmente atendem consumidores industriais da região em que estão inseridas. Por isso, comparar sua potência com a capacidade de produção do país também não faz sentido. Assim como essa PCH próxima a Pinhal representaria 0,0044% da potência instalada do Brasil, o PIB municipal pinhalense representa 0,018% do PIB brasileiro. Concluímos então que a economia da cidade é desimportante? Eu acho que não é por aí...

Doou por quê?

Foi veiculado no AC que a Prefeitura doou terras para uma empresa construir seu centro de distribuição que gerará mais de 50 empregos. É a política industrial pinhalense em ação. Desconheço os detalhes da negociação, mas fico curioso para um detalhe: por que doar algo que se pode emprestar, no caso, ceder o direito de uso? Para a empresa beneficiada o efeito prático pode ser o mesmo se forem pré-estabelecidas e cumpridas condições de renovação automática da cessão do terreno. Talvez a justificativa seja manter aberta a possibilidade de, daqui a 30 anos, a administração municipal de plantão poder comprar o terreno de volta...

sexta-feira, 17 de julho de 2009

O papa e a crise

Coluna publicada pelo A Cidade e Infomoney.com, em 18 de Julho de 2009

A mais recente encíclica do papa Bento XVI “Caritas in Veritate” (“Caridade na Verdade”) trata sobre o desenvolvimento humano. E como não podia deixar de ser, aborda temas contemporâneos como a atual crise econômica. Sobre ela, o papa é assertivo: a crise do sistema econômico é fruto da busca exacerbada do lucro.

Sem dúvida que a busca do lucro gerou a crise, mas é inquestionável que a procura incessante pelo lucro também será a causa da recuperação econômica que ocorrerá. A busca do lucro é inerente ao sistema e estará presente em todas as fases dos ciclos econômicos. Não é esta a causa das mazelas do planeta.

O sistema provoca desigualdade e é injusto? Sem dúvida. Mas não se pode negar que continua sendo o melhor sistema. Qualquer mecanismo econômico que parta da premissa de ser igualitário é utópico e insustentável. Já é notório que mesmo com todos os ganhos de produtividade, os recursos do planeta não são suficientes para atender satisfatoriamente toda a população do mundo.

Só para exemplificar, caso dividíssemos de forma igual estes recursos entre todos os habitantes do globo, poderíamos chegar a uma situação na qual não sobrariam recursos, por exemplo, para as pessoas comprarem este jornal que você está lendo agora. Só isto tornaria a publicação de jornais algo sem sentido e os profissionais que trabalham em jornais já perderiam seus empregos. Isto é sustentável?

O papa, em sua encíclica, parece reconhecer isto e argumenta que falta ao sistema agir, nesta busca do lucro, de forma mais ética, caridosa e ambientalmente sustentável. Nada mais justo e oportuno. Mas ilude-se quem acha que este conselho deva ser acatado e seguido espontaneamente pela figura impessoal do “sistema” ou pelos líderes e dirigentes das grandes corporações capitalistas. Estes são meros maximizadores de lucro dentro dos limites impostos pelo mercado. E o mercado é formado pelos consumidores.

O conselho do papa deveria, então, ser seguido por todos. Nenhum capitalista passará a buscar o lucro de forma sócio-ambientalmente sustentável se ele não for incentivado para tanto. E este incentivo só surgirá quando isto for exigido por seus consumidores.

É muito cômodo culpar os empresários e banqueiros pelas mazelas do planeta. Mudar de atitude e reconhecer a parcela de culpa de cada um deve dar muito trabalho. Pois, parece ser mais fácil continuar jogando papel na rua e comprando DVD pirata...

terça-feira, 7 de julho de 2009

Ganhei a Mega Sena. E agora?

Coluna publicada no A Cidade, em 4 de Julho de 2009

Semana passada foi sorteado o maior prêmio da Mega Sena do ano. Foram cerca de R$ 55 milhões divididos por quatro bilhetes que acertaram todas as seis dezenas. Até onde eu sei, não foi ninguém de Pinhal quem levou essa bolada. Mas quem já não fez planos do que fazer com um prêmio da Mega Sena? Se algum leitor vier a ganhar, seguem alguns pontos a serem considerados antes de torrar todo o dinheiro em festas e nos novos parentes que aparecerão.

Sempre escuto histórias de pessoas que após ganhar grandes prêmios só compram imóveis e acabam imobilizando todo o prêmio. Conforme já escrevi anteriormente, ficar imobilizando recursos reflete uma visão retrógrada de bom investimento e criação de valor. Investir em imóveis é interessante? Sim, desde que se restrinja a uma parcela pequena do patrimônio.

Colocar tudo na poupança ou em um fundo de investimento conservador também já não é mais uma decisão óbvia para o premiado. Embora, em números absolutos, o rendimento mensal de um prêmio de loteria seja significativo, a tendência é este tipo de investimento ter nos próximos anos um rendimento cada vez menor dada as perspectivas de quedas cada vez maiores das taxas de juros reais da economia.

Uma economia com taxas de juros baixas deverá mudar a mentalidade do investidor brasileiro. Será o fim de uma era de ganhos sem riscos. Neste contexto, cada vez mais o investidor deverá buscar opções mais arriscadas de investimento se quiser buscar uma maior rentabilidade de seu patrimônio. Isto também contribuirá para a popularização de outras opções de investimento que sofriam concorrência desleal dos fundos de renda fixa, neste rol estão os títulos de dívida de empresas, as chamadas debêntures.

Para o ganhador da Mega Sena essa busca por mais risco e retorno quer dizer dedicar uma parcela cada vez maior de seu prêmio para o investimento em renda variável. Ou seja, investimento em ações de empresas e até mesmo em negócios próprios.

Espero que este seja o maior ganho do país com a queda dos juros: a criação de um espírito empreendedor naqueles que buscarem uma rentabilidade maior para seus investimentos. O Brasil só alcançará um bom nível de desenvolvimento econômico no dia em que um vencedor da loteria ao resgatar seu prêmio tenha o desejo de abrir um negócio próprio ao invés de deixar todo o dinheiro no banco rendendo juros.

sábado, 27 de junho de 2009

Inflação, patrimonialismo e Robin Hood

Coluna publicada no A Cidade, em 31 de maio de 2008

Há duas semanas, o jornalista e professor da PUC/SP, Hamilton de Souza, escreveu no jornal A Cidade argumentando que a volta da inflação seria culpa do governo. A análise do jornalista é preocupante. Porém, a preocupação vem do fato de ainda existir um forte ranço patrimonialista na mentalidade de boa parte da população que em linhas gerais acredita que todo desenvolvimento econômico necessita de apoio governamental e que toda ação autônoma por parte de empresas privadas devem ser vistas com cautela e desconfiança. Alguns dos argumentos do professor e meus comentários sobre eles são os que seguem:

- Argumenta-se que a agricultura familiar fornece alimentos a preços mais baixos e, portanto é este segmento que precisa ser apoiado pelo governo. Duas inverdades: primeiro que por conta da pequena produção (falta de escala), os custos fixos da agricultura familiar não conseguem ser muito diluídos e algumas tecnologias que barateariam o custo unitário de produção tornam-se inviáveis de serem aplicadas. Resultado prático disso é um custo maior em relação a uma empresa que produza em grande escala. Segundo que a falsa sensação de que agricultura familiar produz mais barato surge por conta justamente dos subsídios que o governo fornece a estes produtores os quais o professor diz que o setor carece.

- Logo em seguida, ataca-se à alta no preço dos alimentos que seria articulada por grandes corporações internacionais presentes no país. Mas a agricultura familiar não se beneficia da alta nos alimentos também? E a renda do país enquanto produtor e exportador de alimentos não tende a crescer? E conforme já disse em uma coluna anterior, se o argumento é que existem empresas explorando a população, por que não abrir uma empresa neste mercado também? Se a exploração realmente existir, a nova companhia terá condições de ofertar alimentos a preços mais baixos (e sem ajuda do governo!). Ou se preferir, pode-se também atuar explorando a população em geral, mas revertendo os lucros para a agricultura familiar que tanto necessita de apoio segundo o jornalista. Seria uma espécie de capitalismo Robin Hood.

- Argumento similar deve ser usado quando Hamilton critica a falta de apoio à produção de trigo há quase 30 anos e a necessidade, hoje, da importação do produto a preços elevados. Novamente há dois equívocos neste raciocínio. O trigo é uma cultura cuja colheita se faz em menos de 6 meses após seu plantio. Portanto, se os preços estão altos, não é preciso empurrão do governo para que os brasileiros comecem a plantá-lo. Os próprios produtores percebendo o mercado aquecido iriam atrás para produzir. E mesmo se o Brasil produzisse muito trigo, a produção nunca seria grande o suficiente para impactar a cotação internacional do produto. Ou seja, os preços permaneceriam altos e não existiria razão para os produtores brasileiros ofertarem trigo a preços mais baixos no mercado interno, se existe a possibilidade de exportá-lo a preços elevados.

- Sobre o superávit primário, considerado elevado e mal aplicado, é um erro interpretá-lo como uma reserva do governo ou sobra de caixa. O superávit primário tem esse nome por justamente não considerar os juros sobre a dívida pública que o governo ainda deve pagar. Deve-se compreender que esta dívida não surgiu do nada. O governo se endividou para justamente ter recursos para investir dentre outras coisas nos subsídios à agricultura. É verdade que a dívida contraída poderia ser aplicada de forma mais eficiente, inclusive com um enxugamento do Estado. Mas esta é outra discussão.

Devemos nos livrar da idéia que dependemos do Estado para nos desenvolver. Reclamar que o Estado não apóia isso ou aquilo é desculpa para a inação. O Estado deve fornecer o básico: educação, saúde e segurança (inclusive institucional). O resto é conosco.

A era dos balconistas filósofos

Coluna publicada no A Cidade, em 23 de fevereiro de 2008

Duas semanas atrás uma pequena nota neste jornal dizia que um em cada dez brasileiros com diploma universitário estava ocupado em um cargo que exigia um baixo nível de escolaridade. Na semana seguinte, em artigo da Veja, Gustavo Ioschpe argumentava que é preferível um balconista com diploma superior a um outro que seja analfabeto. O articulista da Veja tem razão, porém, erra o alvo ao sugerir que qualquer diploma universitário traga retornos ao seu detentor. Em cidades pequenas, como a nossa, não existem tantas vagas que possam ser ocupadas por um diplomado em um curso qualquer.

Para que o retorno do investimento na educação seja positivo, nestes casos, é necessário que as aptidões desenvolvidas durante a faculdade sejam no mínimo similares àquelas empregadas no trabalho. Se houvesse somente vagas para balconistas na cidade, não haveria razão para acreditar que a produtividade (que reflete o salário) de um balconista filósofo fosse maior do que a de um balconista técnico em contabilidade. Do mesmo modo que um jornalista filósofo deva ser muito mais produtivo que um jornalista técnico em contabilidade.

Em outras palavras, se as pessoas querem ter ganhos salariais com um diploma, deveriam olhar o mercado de trabalho antes de optar por um curso. Ao investirem na própria educação, elas deveriam ser mais racionais na tomada de decisão do mesmo modo que o são quando procuram a melhor aplicação financeira para suas economias.

Neste sentido, seria salutar a ampliação da oferta de cursos técnicos de nível superior no país como um todo e em nossa cidade, em particular. Os cursos técnicos além de serem mais baratos e de menor duração, possibilitam um maior grau de empregabilidade a seus alunos, pois os capacitam a funções específicas demandadas pelo mercado de trabalho que nem sempre são supridas por bacharelados. No Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT) de Pinhal, por exemplo, há uma vaga para um cadista (operador de um software de engenharia chamado CAD). Existe algum curso na cidade que ensine aos alunos além de usar esse programa, operar um torno para fabricar uma peça que tenha sido desenhada com o auxílio do CAD (ou seja, o lado prático do que se aprende)? Para os mais céticos, já adianto que não é necessária a estrutura de uma faculdade de engenharia para se oferecer um curso como este na cidade.

Mas o que se vê hoje é a uma oferta desproporcional de cursos de bacharelado em relação aos cursos técnicos. E, além disso, a quantidade de vagas na área de humanas é superior à necessidade de nossa economia. Há hoje tantas vagas de direito nas faculdades do país quanto o número de advogados empregados.

Porém, se a solução são os cursos técnicos, além da oferta é preciso aumentar a demanda por eles. Deve-se acabar com a mentalidade de que curso técnico serve apenas para formar pedreiros e eletricistas. Estou falando de cursos técnicos de nível superior. Vide o SENAC que oferece cursos que vão desde o design gráfico até a hotelaria. Novamente enfatizo: existem hoje mais vagas no mercado de trabalho que seriam melhor ocupadas por um técnico da área de exatas do que por um bacharel em ciências sociais. A economia terá maiores ganhos de produtividade com balconistas que tenham um bom raciocínio matemático do que com aqueles que queiram discutir o materialismo histórico com seus clientes.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Quanto vale Kaká?

Coluna publicada no A Cidade, em 6 de Junho de 2009

Enquanto escrevo está sendo noticiada a venda do meio-campo da seleção, Kaká, para o Real Madri da Espanha. O negócio, se concretizado, vai envolver o montante de R$ 180 milhões de reais, um dos maiores da história do futebol. Por ser o clube que formou o jogador, o São Paulo terá direito a 5% da transação, ou seja, cerca de R$ 9 milhões. O curioso é que isto equivale à metade do valor recebido pelo clube paulista quando negociou Kaká com o Milan, em 2003. Em outras palavras, o São Paulo vendeu Kaká por 10% do que ele vale hoje.

O São Paulo vendeu mal o atleta naquela época? Ou foi o Milan que soube vender muito bem o jogador? Nem um nem outro. Conforme a revista Veja reportou algumas semanas atrás, o negócio de comercialização de jogadores de futebol passou a ser algo altamente lucrativo quando algumas promessas juvenis se tornam craques profissionais. Portanto, jogadores de futebol passaram a ser opção de investimento para grandes investidores e algumas empresas.

Os jogadores, então, passaram a ser considerados como ativos na carteira de investimento destes agentes do mercado e, portanto, passaram a ser avaliados economicamente como os demais ativos financeiros. Ou seja, o preço de um ativo (jogador) deve ser equivalente a toda sua valorização futura esperada, descontado no tempo por uma taxa que reflita todos os riscos desta valorização se frustrar, que no caso de um jogador de futebol, são nada desprezíveis.

Sob este aspecto, é perfeitamente razoável supor que a negociação de Kaká pelo São Paulo, no passado, por 10% do que ele vale hoje foi o valor justo pelo jogador na época. É só ponderar que em 2003 Kaká ainda era muito jovem e só tinha provado seu talento enfrentando basicamente times brasileiros, em campeonatos regionais e nacionais. Levá-lo para o ambiente altamente competitivo de um campeonato europeu, com todas as incertezas se ele se adaptaria ao estrangeiro, ao estilo do futebol e à pressão, eram todos riscos que certamente foram considerados em sua precificação, tornando-a mais baixa.

Hoje, superadas todas estas incertezas, sendo um jogador de primeira linha, já eleito como melhor do mundo, restam poucos riscos que podem afetar os rendimentos que Kaká pode trazer para seu clube e investidores. Logo, são poucos os descontos que afetariam seu preço, que merecidamente é alto. É a economia!