Coluna publicada no A Cidade, em 23 de fevereiro de 2008
Duas semanas atrás uma pequena nota neste jornal dizia que um em cada dez brasileiros com diploma universitário estava ocupado em um cargo que exigia um baixo nível de escolaridade. Na semana seguinte, em artigo da Veja, Gustavo Ioschpe argumentava que é preferível um balconista com diploma superior a um outro que seja analfabeto. O articulista da Veja tem razão, porém, erra o alvo ao sugerir que qualquer diploma universitário traga retornos ao seu detentor. Em cidades pequenas, como a nossa, não existem tantas vagas que possam ser ocupadas por um diplomado em um curso qualquer.
Para que o retorno do investimento na educação seja positivo, nestes casos, é necessário que as aptidões desenvolvidas durante a faculdade sejam no mínimo similares àquelas empregadas no trabalho. Se houvesse somente vagas para balconistas na cidade, não haveria razão para acreditar que a produtividade (que reflete o salário) de um balconista filósofo fosse maior do que a de um balconista técnico em contabilidade. Do mesmo modo que um jornalista filósofo deva ser muito mais produtivo que um jornalista técnico em contabilidade.
Em outras palavras, se as pessoas querem ter ganhos salariais com um diploma, deveriam olhar o mercado de trabalho antes de optar por um curso. Ao investirem na própria educação, elas deveriam ser mais racionais na tomada de decisão do mesmo modo que o são quando procuram a melhor aplicação financeira para suas economias.
Neste sentido, seria salutar a ampliação da oferta de cursos técnicos de nível superior no país como um todo e em nossa cidade, em particular. Os cursos técnicos além de serem mais baratos e de menor duração, possibilitam um maior grau de empregabilidade a seus alunos, pois os capacitam a funções específicas demandadas pelo mercado de trabalho que nem sempre são supridas por bacharelados. No Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT) de Pinhal, por exemplo, há uma vaga para um cadista (operador de um software de engenharia chamado CAD). Existe algum curso na cidade que ensine aos alunos além de usar esse programa, operar um torno para fabricar uma peça que tenha sido desenhada com o auxílio do CAD (ou seja, o lado prático do que se aprende)? Para os mais céticos, já adianto que não é necessária a estrutura de uma faculdade de engenharia para se oferecer um curso como este na cidade.
Mas o que se vê hoje é a uma oferta desproporcional de cursos de bacharelado em relação aos cursos técnicos. E, além disso, a quantidade de vagas na área de humanas é superior à necessidade de nossa economia. Há hoje tantas vagas de direito nas faculdades do país quanto o número de advogados empregados.
Porém, se a solução são os cursos técnicos, além da oferta é preciso aumentar a demanda por eles. Deve-se acabar com a mentalidade de que curso técnico serve apenas para formar pedreiros e eletricistas. Estou falando de cursos técnicos de nível superior. Vide o SENAC que oferece cursos que vão desde o design gráfico até a hotelaria. Novamente enfatizo: existem hoje mais vagas no mercado de trabalho que seriam melhor ocupadas por um técnico da área de exatas do que por um bacharel em ciências sociais. A economia terá maiores ganhos de produtividade com balconistas que tenham um bom raciocínio matemático do que com aqueles que queiram discutir o materialismo histórico com seus clientes.
O blog
Este blog foi criado em 2008 para a postagem das minhas colunas que eram publicadas no Infomoney e no extinto A Cidade.
Atualmente publico no jornal O Pinhalense e no site O Financista.
Aproveitem!
sábado, 27 de junho de 2009
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