O blog

Este blog foi criado em 2008 para a postagem das minhas colunas que eram publicadas no Infomoney e no extinto A Cidade.
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quinta-feira, 18 de junho de 2009

Quanto vale Kaká?

Coluna publicada no A Cidade, em 6 de Junho de 2009

Enquanto escrevo está sendo noticiada a venda do meio-campo da seleção, Kaká, para o Real Madri da Espanha. O negócio, se concretizado, vai envolver o montante de R$ 180 milhões de reais, um dos maiores da história do futebol. Por ser o clube que formou o jogador, o São Paulo terá direito a 5% da transação, ou seja, cerca de R$ 9 milhões. O curioso é que isto equivale à metade do valor recebido pelo clube paulista quando negociou Kaká com o Milan, em 2003. Em outras palavras, o São Paulo vendeu Kaká por 10% do que ele vale hoje.

O São Paulo vendeu mal o atleta naquela época? Ou foi o Milan que soube vender muito bem o jogador? Nem um nem outro. Conforme a revista Veja reportou algumas semanas atrás, o negócio de comercialização de jogadores de futebol passou a ser algo altamente lucrativo quando algumas promessas juvenis se tornam craques profissionais. Portanto, jogadores de futebol passaram a ser opção de investimento para grandes investidores e algumas empresas.

Os jogadores, então, passaram a ser considerados como ativos na carteira de investimento destes agentes do mercado e, portanto, passaram a ser avaliados economicamente como os demais ativos financeiros. Ou seja, o preço de um ativo (jogador) deve ser equivalente a toda sua valorização futura esperada, descontado no tempo por uma taxa que reflita todos os riscos desta valorização se frustrar, que no caso de um jogador de futebol, são nada desprezíveis.

Sob este aspecto, é perfeitamente razoável supor que a negociação de Kaká pelo São Paulo, no passado, por 10% do que ele vale hoje foi o valor justo pelo jogador na época. É só ponderar que em 2003 Kaká ainda era muito jovem e só tinha provado seu talento enfrentando basicamente times brasileiros, em campeonatos regionais e nacionais. Levá-lo para o ambiente altamente competitivo de um campeonato europeu, com todas as incertezas se ele se adaptaria ao estrangeiro, ao estilo do futebol e à pressão, eram todos riscos que certamente foram considerados em sua precificação, tornando-a mais baixa.

Hoje, superadas todas estas incertezas, sendo um jogador de primeira linha, já eleito como melhor do mundo, restam poucos riscos que podem afetar os rendimentos que Kaká pode trazer para seu clube e investidores. Logo, são poucos os descontos que afetariam seu preço, que merecidamente é alto. É a economia!

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