Coluna publicada no jornal A Cidade de 20 de março de 2010
Nos investimentos financeiros vale a correlação positiva entre o risco e o retorno. Ou seja, quanto maior o risco do investimento, maior é o retorno esperado e vice-versa. Ações são investimentos mais arriscados e por isso tendem a ter maior retorno esperado, já a poupança é quase livre de risco e por isso rende relativamente menos. A lógica é simples: se algo tem um retorno financeiro muito incerto -maior risco- eu, como investidor, vou exigir e esperar receber um prêmio pelo risco de aplicar minhas economias neste ativo.
O que poucos sabem é que este conceito pode ser aplicado para muitas outras situações em nosso cotidiano, muito embora muitos já o apliquem mesmo que de forma inconsciente. Um exemplo mais típico é o caso do mercado de trabalho. Ao escolhermos onde mandar currículos ou ao escolher entre duas oportunidades que aparecem ou termos que decidir sobre mudar de emprego ou não, a análise de risco-retorno sempre pode ser aplicada.
Quando a dúvida é abrir uma empresa pequena ou trabalhar em uma empresa grande, pode-se ponderar: na empresa grande é mais garantido eu manter minha empregabilidade, mas posso levar mais tempo para evoluir na carreira e terei mais concorrentes para isso, logo é um emprego mais estável. Porém, possui retorno menor em relação ao de uma empresa pequena onde coloco minha carreira em risco por conta dos riscos inerentes à operação de um negócio pequeno, mas, por outro lado, se a companhia obtiver sucesso no mercado, ela crescerá de forma rápida assim como minha carreira - e carteira.
Outros casos são os dos empregos oferecidos no exterior, em países subdesenvolvidos ou em regiões menos desenvolvidas do Brasil. Não é à toa que as vagas que surgem para estes lugares sempre pagam mais que uma equivalente nos grandes centros. Para uma pessoa sair do conforto do grande centro, onde existem outras oportunidades, e viajar para um lugar desconhecido, com risco não só de natureza profissional, mas também riscos sociais como a violência e presença de doenças endêmicas, esta pessoa certamente exigirá um salário mais alto.
Para os que prestam concursos públicos, isto também é verdade. Investir em concurso público é investir na poupança do mercado de trabalho. O sujeito que quer virar funcionário público não possui muita ambição profissional, pois os cargos públicos, ao contrário dos privados, possuem um teto salarial. Ou seja, tem-se a garantia de estabilidade no emprego - menos risco-, porém com um limite de retorno. No mercado profissional das empresas privadas, este teto salarial não existe, tampouco a estabilidade de emprego existe.
O blog
Este blog foi criado em 2008 para a postagem das minhas colunas que eram publicadas no Infomoney e no extinto A Cidade.
Atualmente publico no jornal O Pinhalense e no site O Financista.
Aproveitem!
segunda-feira, 22 de março de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário