Coluna publicada no jornal A Cidade, em 3 de abril de 2010
Algumas semanas atrás, recebi uma mensagem eletrônica pelo telefone de um político da região. Imagino que a mensagem deve ter batido altos papos com secretárias eletrônicas, sinais de fax e curiosos como eu. A mensagem era pra anunciar a publicação de um relatório das atividades do referido político. Basicamente o telefonema era pra fazer propaganda da propaganda política.
O episódio me fez lembrar como um ano eleitoral movimenta alguns setores econômicos do país. Isto acontece mais claramente e diretamente nos setores de gráficas, de serviços de propaganda e marketing e publicações de periódicos, como este jornal.
Os impactos econômicos de um evento de eleição não são corriqueiros, tanto que existem estudos sobre assunto e que correlacionam os ciclos econômicos com os ciclos políticos. De forma mais ampla, esta linha de estudos não só aborda estes efeitos mais diretos na economia, mas também consideram as políticas macroeconômicas e setoriais dos governos que tentam se reeleger ou elegerem seus sucessores.
O anúncio do PAC 2, que ocorreu na última segunda-feira, é só uma das facetas que evidenciam esta influência do calendário político sobre a economia. O aumento dos investimentos públicos, nestas épocas, tende a causar inclusive distorções nos mercados e desabastecimento de alguns produtos. Uma preocupação corrente do setor de construção é a garantia de fornecimento de asfalto. Neste ano talvez seja necessário importar asfalto no Brasil, pois a Petrobras, única fornecedora do produto, não terá condições de abastecer toda a demanda que se projeta para as obras de infraestrutura do país.
Por outro lado, a depender do cenário eleitoral, alguns setores da economia podem contrair seus investimentos previstos com receio de eventuais instabilidades políticas do futuro. Foi isso que ocorreu em 2002, quando um clima de terror se instalou nos mercados financeiros durante o período eleitoral.
Neste ano, é quase consenso que as diretrizes econômicas não serão alteradas qualquer que seja o vencedor das eleições, entre Dilma e Serra. E consensos por si só são motivos de preocupação.
O blog
Este blog foi criado em 2008 para a postagem das minhas colunas que eram publicadas no Infomoney e no extinto A Cidade.
Atualmente publico no jornal O Pinhalense e no site O Financista.
Aproveitem!
sábado, 3 de abril de 2010
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