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Este blog foi criado em 2008 para a postagem das minhas colunas que eram publicadas no Infomoney e no extinto A Cidade.
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quarta-feira, 11 de março de 2009

Os verdes em xeque

Coluna publicada na Infomoney.com em 28 de março de 2008

Há algum tempo economistas e pesquisadores de outras áreas tentam precificar as amenidades do meio ambiente. Quanto custa o ar despoluído? Qual o valor de uma mata nativa? Por serem bens que não possuem mercado onde possam ser comercializados, a estimação de seus preços é um desafio. A definição desses valores seria útil na determinação de multas para crimes ambientais e também para uma melhor análise sócio-econômica de projetos (talvez seja justificável fazer um pequeno desmatamento em uma região se o projeto proporcionar retornos sociais extraordinários).

Muitos ambientalistas, porém, são intransigentes e refutam esta abordagem econômica da natureza. Argumentam que o meio ambiente deve ser preservado a qualquer custo. O curioso é que na maioria dos casos, os próprios ambientalistas se recusam a incorrer nos custos de preservação ambiental.

Um exemplo recente está no programa de concessão de uma extensa reserva florestal em Camarões. O ministro do meio ambiente daquele país diz que poderia conceder a área para a exploração econômica a ser feita por uma empresa madeireira, mas prefere concedê-la a um grupo ambientalista qualquer a fim de preservar a floresta tropical da região. A concessão, no entanto, tem um preço: 1,6 milhões de dólares por ano (US$ 2 por hectare). Até agora, nenhuma ONG de preservação ambiental se propôs a pagar para preservar a vasta área no sul do país africano.

A idéia de conceder florestas para a preservação é uma idéia recente e que já possui casos de sucesso. A organização ambiental WWF já preserva áreas concedidas em países como Peru e Guiana, mas a um preço muito menor que o pedido pelo governo camaronês. Esta foi a justificativa deles ao refutarem o projeto de Camarões. Mas o meio ambiente não deveria ser preservado a qualquer custo? E o avanço das pastagens, plantações e extrativismo, que tornam as matas nativas cada vez menores não teria justamente o efeito de torná-las cada vez mais caras (por estarem mais escassas e ameaçadas)?

Esta atitude contraditória dos ambientalistas põe em xeque suas reais intenções e benefícios que proporcionam ao meio ambiente. Tem-se a sensação que os recursos arrecadados por estes grupos são destinados mais para fazerem barulho e mídia do que para projetos que de fato conservam o meio ambiente.

As ONGs ambientais são altamente dependentes de doações e convênios com entidades públicas. Da mesma forma que se costuma dizer que no Brasil existe a indústria da seca, pode-se argumentar que os ambientalistas fomentam a indústria do "próximo cataclismo ambiental". Na mídia, há sempre um desastre ambiental em vias de acontecer cuja fonte da notícia, invariavelmente, é um grupo ambientalista. A iminência de uma catástrofe é necessária para a manutenção do fluxo de recursos destinados à ONG. Se a expectativa é que nada sendo feito tudo permaneça inalterado pelos próximos 50 anos, ninguém vai querer doar dinheiro aos ambientalistas.

Este método de atuação das ONGs ficou evidenciado 7 anos atrás quando o estatístico dinamarquês Bjorn Lomborg lançou um livro chamado O Ambientalista Cético. Nele, Lomborg conseguiu provar usando dados estatísticos oficiais que o meio ambiente não se encontrava em um estado tão catastrófico quanto o alarmado a época pelos ambientalistas.

O livro caiu feito uma bomba entre os verdes. Mas a reação predominante foi rechaçar os argumentos do dinamarquês atacando sua reputação e não seus métodos. Como aparentemente os donativos às ONGs não cessaram em função da publicação do livro, não houve necessidade de fazerem uma revisão em seus estilos de atuação. Ficamos, portanto, no aguardo da próxima era do gelo.

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