Coluna A Cidade de 26 de Janeiro de 2008
Boa parte da teoria econômica passa pelo estudo dos incentivos. A economia trata das escolhas dos indivíduos e estes respondem invariavelmente as condições do ambiente em que estão inseridos incluindo aí os incentivos que lhe são oferecidos.
O proprietário de um terreno vazio possui diversas opções do que fazer com sua propriedade. Porém, se o banco local cria uma linha de crédito vantajosa para se plantar abobrinha, cria-se um incentivo para o sujeito plantar abobrinha. Desta forma, os incentivos vão moldando a tomada de decisões dos agentes e, de um modo geral, a economia como um todo.
No entanto, muitas leis e decisões que determinam nosso ambiente geram incentivos distorcidos e que usualmente acabam criando efeitos contrários daqueles inicialmente planejados. Qual seria, por exemplo, o incentivo torto escondido por trás de uma lei que nos obriga a usar o cinto de segurança? Como o próprio nome já diz, o cinto nos traz segurança. Pois bem, se eu dirijo com maior segurança, eu tenho o incentivo de chegar mais rápido aos lugares. Aumento, então, a velocidade com que dirijo, pois estou mais seguro do que antes. Como todos estão sujeitos ao mesmo incentivo, todos passarão a correr mais. O resultado disso só pode ser o aumento do número de acidentes nas estradas.
A obrigatoriedade do cinto, de fato, diminui o número de mortes por acidente, mas ao mesmo tempo faz aumentar o número total de acidentes. O número absoluto de mortes, no final, acaba sendo igual, ou até maior, do que o de antes da obrigatoriedade do cinto.
Casos como este existem aos montes em nosso dia a dia. A descoberta de um método contraceptivo mais eficiente que os atuais diminuiria os casos de gravidez indesejada? É duvidoso. Com o sentimento de estarem mais seguros contra uma gravidez indesejada, os casais teriam o incentivo de transarem mais vezes (ou um maior número de casais passaria a sentir seguro o suficiente para começar a transar). O novo método contraceptivo diminui as chances de gravidez por relação sexual, mas ao mesmo tempo a freqüência destas relações aumenta. O resultado é, no mínimo, o número de casos de gravidez indesejada continuar os mesmos de anteriormente.
Este problema está relacionado ao que os economistas chamam de risco moral (“moral hazard”). O risco moral existe porque as pessoas reagem de forma diferente do normalmente esperado quando elas se deparam com situações e incentivos diferentes. É isto que explica, por exemplo, o fato das seguradoras estabelecerem franquias e bônus nos seguros de automóvel. A franquia funciona como um incentivo para os motoristas não descuidarem de seus veículos que já estão assegurados contra danos.
O blog
Este blog foi criado em 2008 para a postagem das minhas colunas que eram publicadas no Infomoney e no extinto A Cidade.
Atualmente publico no jornal O Pinhalense e no site O Financista.
Aproveitem!
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
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Um comentário:
Aprendi muito
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