Coluna Infomoney 07 de Dezembro de 2007
VPL: valor presente líquido. Trata-se do critério de decisão de investimento mais utilizado pelas empresas para a seleção de projetos. O motivo de sua popularidade é simples, ele é o melhor critério que existe.
O VPL desbanca outros critérios tradicionais como TIR, payback e custo/benefício, pois com ele tem-se a garantia de que, se o projeto for aceito, ele agregará valor à empresa. Vejamos como isso é sempre verdade.
Para se chegar ao VPL de um projeto basta descontar seu fluxo de caixa por uma taxa de desconto equivalente ao custo de capital da empresa e subtrair o aporte inicial de recursos necessário para o início do projeto.
Portanto, se houver sobra de caixa, o valor da empresa será o valor de todo seu capital mais o caixa ou a soma do capital com o valor presente do projeto no qual aquele caixa será investido.
Se esse valor presente for superior ao montante do caixa, o projeto agregará valor à empresa. Então, a regra de decisão do VPL é simples: aprovar todo projeto que possuir VPL>0.
Este é o problema com que uma típica empresa se defronta quando há sobra de caixa. Investir em novos projetos usando este critério de decisão ou distribuir esse dinheiro aos acionistas para eles por si só decidirem onde investir?
E como seria a aplicação do VPL em nosso dia-a-dia? Fora do ambiente corporativo, a utilização deste critério de decisão nos leva a conclusões interessantes. Sem considerar as aplicações ao extremo - o premio Nobel Gary Becker, num exemplo clássico dos entusiastas do VPL, diz que um suicida nada mais é que um sujeito cujo valor presente líquido de sua utilidade futura é negativo! - o VPL pode ser útil nas finanças pessoais, levando-nos a ver nossas decisões de investimento pessoal de uma maneira alternativa. Vejamos:
Uma das variáveis-chave da fórmula acima é a taxa de desconto (custo de oportunidade do capital). No caso do investidor pessoa física, esse custo de oportunidade é o custo de se carregar dinheiro, ou seja, a taxa livre de risco da economia.
No Brasil, seria a taxa do CDI. Suponhamos que esse investidor decida aplicar todos os seus recursos, por 6 meses, em um fundo que busque a rentabilidade do CDI ou em títulos públicos remunerados por essa mesma taxa.
No Brasil, seria a taxa do CDI. Suponhamos que esse investidor decida aplicar todos os seus recursos, por 6 meses, em um fundo que busque a rentabilidade do CDI ou em títulos públicos remunerados por essa mesma taxa.
O VPL seria zero e o investidor não estaria agregando valor a seu estoque de riqueza frente a possíveis outras oportunidades disponíveis no mercado. De certa forma, sob essa ótica, aplicar em fundos cujo retorno esperado equivale ao próprio custo de oportunidade seria a forma elegante (ou menos burra) de se guardar dinheiro debaixo do colchão.
Ou seja, quem aplica no CDI, hoje, no Brasil está perdendo oportunidades de agregar valor a seu portfólio. A taxa do CDI não acompanha eventuais ganhos de produtividade da economia.
A saída, portanto, seria buscar aplicações que captem esses ganhos do crescimento econômico. À disposição hoje, para citar dois exemplos desse tipo de aplicação, estão as ações e a abertura de um negócio próprio.

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