Coluna a ser publicada no jornal A Cidade, em 19 de junho de 2010
Você já comprou um carro usado? Pela quantidade de estacionamentos e concessionárias de carro em Pinhal, eu imagino que muita gente na cidade já tenha comprado pelo menos um carro usado na vida. Pois bem, para aqueles que já tenham feito isso, foi comum encontrarem problemas no carro, não? Digo isso, pois em teoria, a probabilidade de se encontrar um carro usado de boa qualidade é muito pequena.
A explicação é a seguinte: vamos supor que no mercado existem proprietários de carros bons e de carros ruins desejando vendê-los. Os únicos que conseguem saber se o carro é bom ou ruim são seus respectivos proprietários. Os compradores não conseguem fazer a distinção entre um carro bom e um ruim, seja por ignorância ou por conta dos defeitos dos carros estarem muito bem acobertados.
Esta falta de informação sobre a qualidade do automóvel faz o comprador ficar propenso a pagar por um carro usado somente um preço médio ponderado, entre os preços-justos de um carro bom e de um ruim. Por exemplo, os compradores possuem a percepção que metade dos carros no mercado é de boa qualidade, mas a outra metade é ruim e eles custam R$ 30 mil e R$ 10 mil, respectivamente. Como eles não sabem distinguir um do outro, eles ofertarão apenas R$ 20 mil por carro (média ponderada de R$ 30 mil e $ 10 mil).
Com uma oferta de R$ 20 mil, o proprietário do carro de boa qualidade não vai querer fazer negócio, pois ele sabe que o carro dele é bom e que ele vale R$ 30 mil. Já para o proprietário do carro ruim é um bom negócio aceitar os R$ 20 mil, pois ele sabe que o carro dele vale R$ 10 mil.
Ou seja, o mercado será invadido por ofertantes de carros de má qualidade, pois os de boa qualidade não terão interesse de entrar no mercado aos preços ofertados. Logo, carro usado que esteja a venda vira sinônimo de carro ruim neste modelo.
Em economia esta situação se deve as chamadas imperfeições de mercado, que no caso são duas: (i) assimetria de informação, que é a divisão desigual de informações entre os agentes – o vendedor conhece melhor o produto do que o comprador. E (ii) seleção adversa, que no caso é refletida na predominância de automóveis com atributos indesejáveis no mercado.
Acredite ou não, estas idéias, com este mesmo exemplo, estão presentes em um artigo acadêmico de 13 páginas que rendeu ao seu autor, George Akerlof, o Prêmio Nobel de Economia de 2001. As idéias se fundamentam em uma duvida natural que deve (ou ao menos deveria) permear toda negociação que é a “se ele quer vender tal coisa, porque eu devo comprá-la?”.
O blog
Este blog foi criado em 2008 para a postagem das minhas colunas que eram publicadas no Infomoney e no extinto A Cidade.
Atualmente publico no jornal O Pinhalense e no site O Financista.
Aproveitem!
sexta-feira, 18 de junho de 2010
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