O blog

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sexta-feira, 18 de junho de 2010

O Contran quer causar acidentes

Coluna publicada no A Cidade, em 5 de junho de 2010

Semana retrasada foi noticiado que o Conselho Nacional de Transito, o Contran, lançou campanha sobre a obrigatoriedade do uso de cadeirinhas de segurança em carros para as crianças de até sete anos. A resolução do próprio Contran terá um efeito prático previsível: o aumento de acidentes graves ou fatais com crianças. Isso mesmo. A obrigatoriedade de cadeirinhas de segurança trará mais insegurança ao trânsito e às crianças.

Isto é esperado devido ao incentivo que as pessoas possuem de serem menos cautelosas quando elas se sentem seguras. Ou seja, uma vez obrigado a prender seus filhos em cadeirinhas, as pessoas terão certeza de que elas estarão sempre seguras, logo não precisarão mais ser tão cautelosas na condução dos veículos. É o ambiente propício para o aumento de acidentes. Parece improvável, mas é uma reação natural do ser humano. Em economia, esta atitude é chamada de risco moral.

Para provar meu argumento, proponho um experimento ou exercício mental. Para não fugir muito do tema, o experimento também envolverá carros. O desafio será transportar duas latas de tinta no banco de trás do automóvel de um lado ao outro da cidade no menor tempo possível. Sujar o banco com tinta implica desclassificação. As latas devem ser transportadas uma de cada vez. Uma será transportada com tampa e a outra sem tampa. Dado que não se pode derramar tinta, em qual das duas situações as pessoas irão conduzir o carro com mais cuidado? É claro que será na situação com a lata de tinta aberta.

A tampa da lata de tinta do experimento é a cadeirinha de segurança que o Contran nos obriga a usar. O mesmo acontece com cintos de segurança e airbags. Quanto maior a sensação de segurança, maior a probabilidade das pessoas se envolverem em acidentes. Itens de segurança funcionam como um incentivo à imprudência. O melhor incentivo às atitudes prudentes seria uma série de itens de "ameaça" e não de segurança. Imaginem como seria o trânsito se ao invés de cinto de segurança as pessoas fossem obrigadas a dirigir com uma lança sobre o volante apontada para seus respectivos peitos.

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