O blog

Este blog foi criado em 2008 para a postagem das minhas colunas que eram publicadas no Infomoney e no extinto A Cidade.
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quarta-feira, 15 de abril de 2009

Acionistas batem cabeça em conflitos de agência

Coluna postada no Infomoney.com.br em 23 de maio de 2008

Os custos de agência são as ineficiências geradas pelos diversos conflitos de interesse existentes entre alguns dos stakeholders de um negócio. Entre estas ineficiências, pode-se citar o racionamento de capital (subinvestimento) e outras ações tomadas que não maximizam o valor da empresa para o acionista.

Os conflitos de agência mais conhecidos são entre os acionistas e os administradores da firma, entre os acionistas e os credores e entre os atuais acionistas e os futuros acionistas.

No primeiro caso, os conflitos existem pois os interesses dos administradores nem sempre estão alinhados com os dos acionistas. Administradores têm interesse em se perpetuarem em seus cargos e construir impérios para ganharem visibilidade. Isto os leva a adotar medidas que nem sempre são as melhores para os acionistas, como implementar projetos de baixa rentabilidade só para aumentar a empresa e suas responsabilidades.

Também podem, por outro lado, deixar de investir e acumularem caixa, tornando a empresa pouco atrativa para potenciais compradores e, portanto, usar isso como mecanismo de defesa contra alguma proposta de aquisição que colocaria seus empregos em risco.

Entre acionistas e credores, os conflitos advém do fato dos acionistas em caso de default comprometerem seu capital até o limite do capital social da companhia. Ou seja, uma vez com capital financiado, os credores têm interesse em que a empresa adote projetos mais conservadores, que garantam o repagamento da dívida. Os acionistas, ao contrário, desejam projetos mais arriscados, pois estes possuem um upside maior e o eventual prejuízo é compartilhado com os credores até o limite do patrimônio da empresa.

Atuais acionistas tendem a evitar a emissão de novas ações para o financiamento de projetos em estágios avançados de planejamento, pois os acionistas futuros se beneficiariam do novo fluxo de caixa, mas dada a assimetria de informação dos custos já incorridos pelos atuais acionistas, as novas ações seriam lançadas com um desconto.

Curiosamente, existe um outro conflito de agência menos conhecido que é aquele entre os próprios acionistas atuais de uma empresa. Este tipo de conflito vem à tona quando um dos acionistas possui ações em outra empresa que esteja sendo alvo de aquisição pela primeira empresa.

Nesta situação, o acionista com participação em ambas empresas desejará que a fusão maximize o valor dos acionistas de ambas empresas, ao contrário dos outros acionistas que trabalharão para a maximização do valor apenas dos acionistas da adquirente.

Chega-se a um impasse que invariavelmente resulta na inviabilidade da fusão. Situações como esta chegam a afetar a própria atuação dos administradores da adquirente que, para evitarem frustrações, procurariam não recomendar a compra aos seus acionistas de empresas que provocariam este tipo de conflito. E isto pode resultar em alocações sub-ótimas do capital da adquirente.

Este tipo de conflito é comum entre investidores institucionais, como fundos de pensão, que possuem participações em várias empresas simultaneamente. A forma de mitigá-lo, porém, ainda não é tão clara e óbvia.

Um comentário:

Anônimo disse...

ler todo o blog, muito bom