Postado no Jornal A Cidade e na Infomoney.com.br em 24 de Abril de 2009
Em decorrência da crise internacional, uma onda estatizante tomou conta do globo sob a justificativa de salvação da economia, em especial do sistema financeiro internacional. Primeiro foi a Alemanha que anunciou a estatização de importantes bancos. A Inglaterra e o Japão já sinalizaram que vão seguir o exemplo e o governo dos Estados Unidos admitiu que esta seria a melhor solução para salvar o sistema bancário e a economia norte-americana.
Medidas e anúncios deste tipo deixam os liberais, que outrora defendiam a desestatização da economia, de sorriso amarelo enquanto aqueles alinhados a diretrizes mais à esquerda ficam com um sorriso de canto, com ares de "Eu não disse! Este sistema é insustentável!"
Seria este o fim do capitalismo? Enganam-se aqueles que consideram que o capitalismo está prestes a ruir juntamente com o sistema financeiro dos grandes centros. Esta estatização que ocorre nos bancos das principais economias visa justamente dar sustentação, isto é, capital ao setor financeiro para que a máquina capitalista do restante da economia não pare de funcionar.
Só porque os bancos estão sendo estatizados não significa que eles se tornarão públicos e a serviço da população. Servirão a população apenas de forma indireta, fornecendo recursos para as empresas e consumidores e mitigando o risco de um quadro de desemprego mais generalizado.
A estatização da economia, portanto, não significa que o sistema capitalista mudou ou acabou. O sistema permanece o mesmo. O que muda é tão somente o sócio capitalista das empresas estatizadas. Se antes eram grupos privados, agora é o Estado quem configura entre os principais acionistas destas firmas.
O risco desta guinada estatizante não está em uma suposta ameaça ao sistema econômico vigente, mas sim na apropriação privada que o governante de plantão pode fazer desta fatia maior da economia sob sua tutela.
Tomemos como exemplo a Venezuela. Se no discurso o presidente Chávez mostra-se como um combatente do imperialismo e do capitalismo norte-americano, na prática ele age como o presidente executivo da maior empresa de seu país: o Estado da Venezuela. O problema da empresa-Estado de Chávez é que ela não dá chance para concorrência. A população que não faz parte do corpo funcional do governo ou de suas estatais é deixada ao relento, com poucos incentivos para prosperar fora do guarda-chuva estatal e com uma inflação que beira os 30%.
Capitalismo de uma empresa só - o Estado. Este é o maior risco sistêmico que estatizações podem causar.
O blog
Este blog foi criado em 2008 para a postagem das minhas colunas que eram publicadas no Infomoney e no extinto A Cidade.
Atualmente publico no jornal O Pinhalense e no site O Financista.
Aproveitem!
quinta-feira, 14 de maio de 2009
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