(coluna publicada na Infomoney e no A Cidade em 31 de Janeiro de 2009)
Esta semana, em Belém do Pará, teve início o Fórum Social Mundial 2009. Como o site do próprio Fórum diz, o objetivo deste encontro de movimentos sociais é estimular o debate, a reflexão, a formulação de propostas, a troca de experiências e a articulação para a construção de um outro mundo, mais solidário, democrático e justo.
Não precisa passar para o segundo parágrafo que versa sobre seus objetivos para compreender que o Fórum é impotente para não dizer que beira a inutilidade. Vejam bem: um encontro que visa "construir um outro mundo", que não prevê um plano de ação, que não possui representantes com posições executivas em governos ou empresas e que só se propõe a fazer debates ou reflexões nunca vai conseguir construir algo efetivamente. Construção só com falatório não existe, ainda mais se tratando da construção de um novo mundo.
Consultando a programação do evento, verifica-se que há nada mais nada menos que 1.964 atividades programadas para ocorrerem durante os seis dias do Fórum. Entre as atividades previstas estão um painel sobre a relação do movimento de catadores com a globalização econômica, uma mesa de diálogo com o tema "Petrobras Assassina" e um seminário sobre meio século de "vitórias do povo cubano". Pode-se imaginar que estes exemplos são as exceções do evento. Mas não são.
Já que o Fórum tem finalidade social, resolvi procurar por atividades que diziam respeito ao problema da pobreza e da fome na África. Resultado da pesquisa? Zero. Nenhum evento previsto sobre o tema. O fórum que se diz social e se diz mundial dá as costas para o lado mais pobre do planeta.
Com uma rápida visita ao site do outro Fórum, o Econômico Mundial de Davos, pode-se constatar que de fato o de Belém é o contraponto do primeiro. Afinal, o de Davos possui o que o Fórum Social não foi capaz de desenvolver em nove anos: ações concretas. Neste site existe um link exclusivo para o acompanhamento de todas as iniciativas e planos de ação desenvolvidos pelo Fórum Econômico ao longo dos últimos anos. Existem, inclusive, algumas iniciativas de cunho social. Aliás, o Fórum suíço é explícito, em seu site, ao dizer que o progresso econômico sem o desenvolvimento social não é sustentável.
Enquanto de um lado do mundo existem discussões e discursos prolixos, do outro existem debates e iniciativas visando à tomada de decisões e atitudes concretas.
Não é necessário dizer que enquanto o Fórum Econômico é uma organização sem fins lucrativos sustentada por doações da iniciativa privada, o Fórum Social custou este ano R$ 90 milhões, dos quais R$ 80 milhões foram doados pelo Governo Federal. O que realmente querem aqueles que vão a Belém?
O blog
Este blog foi criado em 2008 para a postagem das minhas colunas que eram publicadas no Infomoney e no extinto A Cidade.
Atualmente publico no jornal O Pinhalense e no site O Financista.
Aproveitem!
domingo, 1 de fevereiro de 2009
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